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domingo, 3 de novembro de 2019

A IMPORTÂNCIA DO CURRÍCULO DE TRABLHO PARA OS ALUNOS DA EJA


As séries iniciais da EJA enfrentam um grande desafio: a apresentação deles para o mercado de trabalho. Isso nem sempre é tão simples quanto parece e, apesar de a maioria dos estudantes que frequentam esta modalidade de ensino encontrarem-se atuantes como trabalhadores, a maior parte não tem empregos fixos ou perspectivas em relação a crescimento dentro de seus ambientes de trabalho.

Diante disso, é muito importante que o professor da EJA esteja atento a seus alunos no sentido de orientá-los quanto ao próprio currículo de trabalho, além de buscar ajudá-los a desenvolver e a descobrir um perfil que seja compatível para a empregabilidade dessas pessoas, visto que, em geral, é comum que os estudantes da EJA tenham muitas habilidades manuais e braçais, pois seus trabalhos exigem mais esse tipo de tarefa e característica pessoal.  

Uma sugestão simples é que os professores incluam a confecção de um currículo adaptado a sua própria classe, ou seja, conforma as habilidades e experiências de trabalho trazidas pelos próprios alunos.
Há modelos simples na internet, mas o ideal é que o próprio professor, juntamente com os estudantes crie um modelo adaptado a realidade daqueles adultos que dispõem em classe. 

Certamente trará outras formas e perspectivas para os alunos inclusive apresentarem-se quanto as suas capacidades e prováveis trabalhos a que desejem se submeter.


domingo, 27 de outubro de 2019

EJA - Uma Ação Política do Ensinar

Essas cinco semanas de estágio na EJA têm sido de muitas provações, mas acima de tudo de muitos aprendizados, pois, é nítido que a alfabetização de adultos perpassa a pura e simples questão pedagógica do conhecimento das letras e números; é sim, antes de tudo, uma forma subversiva de resistir ao sistema.De enfrentar, o antes impensável, mundo do saber. Não o saber adqueirido, empírico, de mundo, mas o saber que se encontra nos livros.

É bom lembrar que a maior parte dos estudantes que hoje frequentam esta modalidade de ensino - para adultos - não estão naquela situação somente por que querem, mas pelo sentido de dever, de cidadania, de vir a ser no mundo. Há claramente nos olhos de cada um a fome de aprender. O desejo de dominar as letras e com elas uma outra forma de ver o próprio mundo. 

Essencialmente, essa necessidade intrínseca de todo o ser humano, a de saber, se manifesta nesses estudantes, de maneira contundente. Não sem dificuldades, é claro, mas com paixão.

É, portanto, essencial, que antes de ser o educador alfabetizador, o professor também consiga enxergar esse universo do estudante da EJA, com as lentes da gente trabalhadora que se desloca a cada dia, muitas vezes, com o cansaço estampado nos olhos, pelo longo dia de trabalho, em sua maioria, trabalhadores braçais.

Desenvolver esse olhar empático, é a única forma de também olhar sob as lentes de quem até hoje leu e viveu sem as letras, mas que agora emerge, com a necessidade de nascer de novo,relendo a própria vida. 

terça-feira, 15 de outubro de 2019

A Saga de uma Professora

É sabido que quando se fala muito de um dia, é porque tem coisa, tipo, onde há fumaça, há fogo! E num país que sobra farmácia e falta saúde, o mesmo se dá com a educação! Lembremos: 1) dia da mulher - aquela baboseira na mídia de “mulher é tudo de bom”, e assistimos estarrecidos a mulher ser desqualificada moralmente, rebaixada, mal-paga e morta.., a todos os instantes; 2) dia das mães - a mãe tbm é mulher! E à parte do “padecer no paraíso”, foi esquecido o não menos diário “padecer tbm no inferno”, pois num país que tira os filhos de suas mães, não dá condições pra mulher ainda decidir sobre se quer ou não ser mãe, desiguala as condições de mercado de trabalho; ser mãe é quase como estar na linha tênue entre perder de vez a identidade ou virar a mãe do Coringa! Vc é o outro! Os outros, menos vc! 3) dia do(a) professor(a) - a maioria do professorado é mulher! E vejam só, a maioria tbm é mãe! Uma sina para algumas! Trabalhar, educar e ainda ter tempo de cuidar da própria família, dos filhos! Tudo poderia ser normal, como em outras profissões se, essa mesma professora-mãe-mulher, tivesse um salário digno, condições de trabalho adequadas, formação contínua, segurança no local de trabalho! Hoje, o excelentíssimo governador iniciou o pagamento (mês 09) do magistério. Será um presente? Se for, continuamos com os cavalos de Tróia mensais, assim como esse dia!



segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Início da Jornada de Estágio

Meu estágio na Escola Municipal Vila Monte Cristo iniciou no dia 19 de setembro e hoje, 06 de outubro, começa a 3ª semana junto aos meus alunos da turma T3 da EJA, noturno.

A cada dia tem sido um desafo diferente, mas não menos interessante, visto que poder oportunizar às pessoas o acesso a um aprendizado significativo faz parte de todo o conjunto de estratégias e concepções em torno do meu trabalho como Professora e futura Pedagoga, além da minha formação acadêmica como aluna do PEAD-UFRGS.

Assim, tenho feito minhas adaptações pedagógicas, curriculares e metodológicas em relação aquilo que pretendo com meus estudantes, pois, sondando seus desejos e formas pessoais de como se veem na posição de alunos da EJA, as opiniões são unânimes: todos querem ler bem, escrever bem, entender os princípios básicos da matemática e ter um pouco mais de conhecimento sobre o mundo.

Ouvindo essas falas vindas dos estudantes, entende-se porque a EJA é também um construto de política pública, pois visa dominuir a carga da falta de escolarização desses adultos que, por motivos, em geral, sócio-econômicos e culturais não tiveram a oportunidade de acesso à escola em seus tempos de criança ou adoleescentes. 

Dessa forma é papel da escola, do professor e de toda a sociedade o oferecimento de uma educação que faça sentido a essas pessoas e que possa, mesmo dentro do curto período de estágio, proporcionar aprendizagem e saberes que se agregarão aos já adquiridos pelos alunos.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

EJA - um desafio pessoal

É de conhecimento geral que o ensino na EJA não é nada fácil. Ao contrário, mostra-se sempre como um grande desafio. Em parte pela heterogeneidade das classes que formam essa modalidade de ensino, e em parte por tratar-se de uma política educacional pouco investigada na comparação com outras modalidades de ensino regular, ou mesmo, por razões censitárias que compõem a EJA, como evasão, recursos mínimos de trabalho, falta de formação docente e discente, difícil acesso, dentre outros. 
Mesmo com todas as lacunas existentes e tão aparentes quanto aos aspectos intitucionais que regem o ensino da EJA, me propus a encarar esse desafio no sentido de não só justificar a necessidade de mais pesquisa e esforços acadêmicos que possam qualificar essa modalidade, mas também para responder algumas perguntas como educadora e logo, futura pedagoga. Assim, me interessam as questões relativas ao perfil psicopedagógico dos alunos da EJA e sua relação com a escola e o mundo do trabalho. 
Com isso, inicio meu estágio curricular obrigatório no dia de hoje, 19/09/2019, sob a orientação do Professor Daniel de Queiroz Lopes, com o qual dividirei minha experiência prática e buscarei atender as demandas de ensino que me couberem, observando minha própria construção acadêmica ao longo do curso de Pedagogia, além de proporcionar aos meus estudantes uma experiência de aprendizagem significativa. 
Durante esta semana estive reunida com a turma com a qual ministrarei meu estágio. Abaixo, destaco algumas fotos de minha observação com as professoras titulares e seu apoio aos estudantes durante as tarefas em sala de aula.


quinta-feira, 22 de agosto de 2019

ETAPA FINAL - PEAD

Ontem, 21 de agosto, foi o primeiro encontro do início deste eixo no PEAD. Pra mim, penso, pode ser meu último semestre como aluna da Pedagogia da UFRGS. Após todos os contratempos deste ano, que me impediram que eu me formasse juntamente com minhas colegas de começo de curso, reinicio agora, com a mesma vontade inicial de obter meu título, de me tornar a educadora-pedagoga que me fez investir nesta longa empreitada.

Algumas diretrizes funcionais foram passadas ao grupo remanescente. Um grupo pequeno, mas bem integrado e disposto a somar esforços para que tudo ocorra dentro dos prazos previstos.

As orientações da Professora Rosane Aragon foram importantes para direcionar alguns alunos quanto às medidas na conclusão do semestre, bem como quanto às demandas exigidas pelo curso.

Me restam tarefas importantes para este período, que são: 1) o estágio obrigatório, 2) o SI IX e 3) o TCC. Parecem poucas se comparadas às inúmeras demandas vividas em semestres anteriores com o volume de atividades das interdisciplinas, mas não são. São imensas, pois agora é hora de colocar em prática nosso aprendizado teórico, os leitores com quem conversamos durante esses anos, as atividades que aplicamos em nossos alunos e também todo o aprendizado construído. É tempo de fazer o diálogo entre todas essas coisas, fundamentando a prática do estágio com nosso entendimento acadêmico elaborado ao longos dos semestres no PEAD.

Estou feliz que finalmente é possível visualizar o fim da estrada, que é a conclusão do curso, mas mais feliz ainda de saber que tudo até aqui valeu a pena, até mesmo a espera!

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Autobiografia

Numa das tarefas solicitadas para a tarefa de Artes Visuais foi a elaboração de uma autobiografia sobre nossas memórias relacionadas ao Ensino da Arte na escola. 

Minhas memórias são curtíssimas relacionadas ao ensino da Arte no processo de escolarização. No entanto, reviver situações artísticas que fizeram parte de minha infância e família é algo bastante presente em meu baú de imagens de criança. 

Assim, trouxe à discussão, uma foto de família, onde apareço como aia, e cujo vestido foi confeccionado por meu pai. Ao relembrar dessa história, me vieram as imagens de meu pai, costurando e bordando as pequenas pérolas que compunham o delicado vestido. Uma verdadeira obra de arte!


sábado, 20 de abril de 2019

O que á arte?

Inicia-se no 9º semestre, no PEAD, a interdisciplina de Artes Visuais e Educação, ministrada pela professora Susana Rangel Vieira da Cunha. E para inserir os alunos da Pedagogia no mundo da Arte, a professora inicia as atividades propostas no moodle a partir de uma pergunta, no mínimo, inquietante: o que é arte?
Há inúmeras formas de descrever o entendimento que se tem sobre aquilo que a arte representa no universo particular de cada um e, para isso é preciso que se identifique qual a própria posição do sujeito no mundo, visto que todo indivíduo parte de um pressuposto histórico-cultural. Obviamente não se desconsidera o aspecto estético em torno daquilo que se define como clássico dentro da arte, como olhar um quadro de um Monet; ou uma escultura de Aleijadinho, ou ainda, não se discute a 9ª sinfonia de Bethoven. Por essa razão, foca-se no aspecto da arte contemporânea, momento que situa a própria sociedade de hoje no movimento artístico, ou seja, bastante complexo de definir e quase intraduzível do ponto de vista técnico, pois que a arte contemporânea pode se utilizar das mais diversas formas  e conceitos por meio da criatividade do artista para expressar a si mesma e a posição do homem no mundo.


Referências

Disponível em <iframe width="560" height="315" src="https://www.youtube.com/embed/bd0thFyWLRg" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe> acessando em 20 de abril de 2019.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Final de Ciclo

A cada finalização, a cada encerramento no PEAD, também encerramos ciclos. Ciclos que convergem entre si, visto que tudo que diz respeito à educação, tem um eixo comum, que volta ao seu início para construir seu próprio final.

O que se pretende dizer com isso é que a educação, área das humanidades a que pertencem os educadores, não é algo exato ou estanque; não pode ser medida como se calcula uma ponte. Trata-se de um pensar, um vir a ser e existir como sujeitos, motivados por ideias e contextos históricos e sociais únicos.

Assim, ao encerrarmos mais um ciclo no PEAD, vem com ele as questões que permearam, principalmente, aquilo que desenvolvemos durante o curso e, especialmente desmembrado na interdisciplina de SI VIII, que é a consciência reflexiva do ser professor. Ativamos isso por meio do registro que temos de toda a escrita e construção acadêmica e teórica durante o processo, o qual nos permite identificar ideias, autores, ações subliminares da prática pedagógica em nosso país. Para que serve o professor? Qual o papel do professor na constru ção do sujeito epistêmico? Quem é o aluno com quem trabalhamos e como o vemos? São questões que  se não respondidas não trazem à tona, o verdadeiro sentido da educação. Especialmente porque coloca em evidência a própria formação dos educadores em nosso país.

Assim, concluimos esse ciclo, entendendo que, apenas a vontade e a formação não são suficientes se não houver políticas que promovam a educação de forma universal e acessível a todos. A educação é o único bem permanente, que pode mudar os aspectos coloniais de nossa sociedade, promovendo a integração de todos os eixos sócio-culturais, ou seja, leva muito tempo para que se possam quebrar paradigmas e construir um Brasil que leve a sério a educação, que respeite o professor e que, acima de tudo, respeite seu próprio futuro. Comecemos pela reflexão de nossas próprias ações no campo educacional.


terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Sujeito epistêmico em perigo

Revisistando a Interdisciplina de Escola, Projeto Pedagógico e Currículo, releio um texto reflexivo, sugerido após a análise da leitura do texto de Becker, bem como do texto de Zabala que dicute os modelos pedagógicos e os modelos epistemológicos, com base na teoria Piagetiana. 

Nos textos discutem-se a importância da análise da práxis pedagógica como fator em andamento do processo epistemológico, visto que o professor  encontra-se ao mesmo tempo como mediador mas em constante aprendizado na troca com o desenvolvimento epistêmico de seus estudantes. Ou seja, o professor crítico e que reflete sua própria ação pedagógica é o mesmo que leva o aprendente a ser crítico de si mesmo e de seu próprio saber. 
Não interessa à educação que, hierarquicamente, deposita "conhecimento" em seus alunos, um olhar para a própria ação educacional do professor.

Fazendo um paralelo aos tempos em que sobre(vive) a educação pública no Brasil, somos confrontados a relativizar o pensamento crítico em detrimento à subserviência política que tira de assalto a liberdade de expressão do educador para inculcar numa geração inteira a ideia de doutrina, de marxismo ideológico, de escola sem partido, mas que de fato faz exatamente aquilo que abomina. 
Assim, quando o ministro da educação pede em nota emitida pelo MEC, que os alunos sejam filmados cantando o hino nacional e que repitam o slogan da campanha do atual presidente, estamos tornando o sujeito potencialmente epistêmico em depositário do projeto pedagógico que se pretende implantar neste país!